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Um negócio chamado reciclagem

Jornal do Comércio - Ambiente


“Muitas pessoas enxergam só lixo, mas para nós não. Para nós, é uma renda.” A declaração cheia de orgulho é de Simone Cardoso dos Santos, que atua na Associação de Reciclagem Ecológica Rubem Berta, em Porto Alegre, e há quase 30 anos é recicladora. O motivo de tanta satisfação é o fato de a reciclagem na Unidade de Triagem onde ela trabalha ser um negócio formalizado que garante o crescimento dos seus integrantes. “A gente trabalha como uma empresa, mostrando a todos eles que têm que fazer um trabalho bem feito, bem limpo para poder agregar valor,” afirma Ângela Lemes, tesoureira de outro empreendimento do gênero, a Cooperativa de Trabalho e Reciclagem do Campo da Tuca (Coopertuca), também da capital. “Aquilo (resíduos a serem reciclados) é a dependência de todos os 30 que estão aqui”, afirma.

Cada vez mais, a reciclagem dá mostras da sua importância como um negócio gerador de renda, emprego e autoestima.


De acordo com dados divulgados pelo evento Reciclando Ideias, promovido pela Braskem e pelo Sindicato das Indústrias Plásticas do RS (Sinplast-RS), por meio da plataforma Repense, a convite da Secretaria de Educação de Porto Alegre (SMED), existem mais de 100 recicladoras no RS que empregam em torno de 830 trabalhadores e trabalhadoras.


A cadeia da reciclagem dá mostras da sua importância como empreendimento gerador de renda, emprego e autoestima

JERÔNIMO SILVELLO/DIVULGAÇÃO/JC


A Coopertuca com seus processos estruturados é uma espécie de benchmarking na cadeia da reciclagem. A tesoureira explica que não basta querer ir para a Unidade de Triagem e separar os resíduos. Há treinamento dos recicladores contratados, existem coordenadores de equipe e de venda e um responsável pela parte administrativa. “A gente hoje vende tudo com nota fiscal porque é obrigado para poder crescer. Tem que fazer tudo dentro da lei para ter uma boa renda”, argumenta. “Cada um entende bem o que tem que fazer”, reforça.


Para que o negócio da reciclagem prospere e faça girar a economia circular é necessária a conscientização da sociedade. Mudanças simples de hábitos e rotinas como separar em casa os resíduos secos dos orgânicos são um passo importante para fortalecer a cadeia da reciclagem e, assim, reduzir o impacto ambiental. Dados de março do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) mostram que, diariamente, são recolhidas 1.126 toneladas de resíduos nas residências de Porto Alegre. Desse volume, apenas 51 toneladas vão para Coleta Seletiva, que existe na capital desde 1990. As mais de 1 mil toneladas restantes são formadas por resíduos orgânicos e rejeitos, porém, o DMLU calcula que nesse montante há 252 toneladas/dia com potencial reciclável. Mas como ficam misturados, tem como destino final a Estação de Transbordo e de lá vão para o aterro sanitário de Minas do Leão.


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